| A ENTIDADE ALADA  Ana Maria Spränger Luiz Agosto de 1988 numa cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, aproximadamente, 23 horas. A palestra que Divaldo proferiria, intitulada "O BISPO PIKE E SEU FILHO TOXICÔMANO" calara fundo nos corações ali presentes. Foram vendidos muitos livros de autoria do médium em benefício à Mansão do Caminho. Eu e mais um grupo de onze senhoras, guardávamos os livros, em grandes sacos de couro que seriam logo mais transportados para a capital. Uma jovem senhora, nossa amiga, e, trabalhadora da seara espírita, moradora noutra cidade do Rio de Janeiro, aproxima-se da banca de livros. Num olhar mais atento percebo que com ela também se aproxima entidade muito sofredora, inclusive alada tal qual pássaro de rapina. Eles vão se aproximando. Eu, inadvertidamente, esqueço-me de orar, olho a ambos, e, começo a dar uns passos para trás. Caio. Felizmente, caí em cima das malas de couro. Não chego ao chão. Como havíamos sido convidados a lanchar numa Instituição modelar para crianças, pegamos o carro: meu marido Isac, eu, Divaldo e mais dois confrades de outros Estados. Começo a me sentir mal. A cabeça parece-me enorme, o corpo parece-me pequeno. Digo a Divaldo que não estou bem. E ele, brincando responde-me" "- Olhe que não volto mais aqui. A coordenação da agenda das minhas palestras no Rio a está cansando, hein?" A Instituição fica a 500 metros. Saltamos do automóvel. Chegamos ao portão da escola que nos albergaria. Então, Divaldo tem ocasião de me olhar, já que no veículo ele estava de costas para mim. Sutilmente, diz que vai me dar um passe. Coloca rapidamente a mão direita no centro de minha testa. Sinto que sai de mim algo que rodopia no ar, como a voar. Suave perfume de éter e flores balsamiza o ar. É o fenômeno de olorização a que o médium é afeito com o auxílio dos Bons Espíritos. Joanna de Ângelis, fala mansamente e discretamente à entidade equivocada. Eu fico me sentindo ótima. Atrás de nós, em outros carros,vão chegando os convidados, inclusive a jovem senhora que servira de médium, trazendo-nos a entidade alada.Entramos primeiro que os outros para visitarmos a Instituição tendo por cicerone a diretora da escola, pois chegáramos na frente deles. Todos sentamo-nos para o lanche. Subitamente Divaldo nos pergunta pela jovem senhora. Onde estaria ? Não viera ela com os outros amigos? Não soube responder-lhe. Eu não a vira mais. Aliás, verdade seja dita, não havia citado seu nome ao médium. Um amigo, na ponta da mesa do lanche, cirurgião, afirma-nos que realmente ela chegara até ao portão mas lá, caíra no chão, e, segundo palavras desse cirurgião que a atendera, talvez houvesse fraturado o vômer, o osso do nariz. Divaldo pede que a chamemos. Ela estava numa enfermaria improvisada, descansando,com chumaços de algodão nas narinas já bastante inchadas. O médium oferece-lhe uma laranjada. Percebemos, os espíritas ali presentes,que por certo, os Benfeitores Espirituais deveriam ter colocado algum remédio espiritual no refresco. A moça o toma. O cirurgião afirma que dali em diante ela não poderia acompanhar mais as palestras pois que a tendência seria que cada vez mais o rosto ficasse inchado. No caminho de volta para a capital, pergunto ao médium intrigada: "- Di, porque eu fui socorrida a tempo, antes que algo de mais grave me ocorresse, e ela somente depois do fato consumado? "- Porque você pediu, minha filha." Dois dias depois, na entrega do Título de Cidadão Benemérito do Estado do RJ, concedido com muita propriedade à Divaldo, reencontramos a senhora completamente saudável. Recordo-me do fato lembrando as palavras de Jesus: "- Pedi e dar-se-vos- á." in: Presença Espírita julho/agosto 1996 art by Damita |