| AMÉLIE GABRIELLE BOUDET ( Mme. Allan Kardec) Amélie-Gabrielle Boudet nasceu em 23 de Novembro de 1795, em Thiais, cidade do menor e mais populoso departamento francês - o Sena. Filha de Julien-Louis Boudet, proprietário e ex-tabelião, e de Julie-Louise Seigneat de Lacombe, que a par de fina educação moral, lhe proporcionaram apurados dotes intelectuais. Após cursar o colégio primário, estabeleceu-se em Paris com a família, ingressando numa Escola Normal, de onde saiu diplomada em professora de 1ª classe. Foi também professora de letras e Belas Artes, trazendo de encarnações passadas a tendência inata, por assim dizer, para a poesia e o desenho. De estatura baixa, mas bem proporcionada, de olhos pardos e serenos, gentil e graciosa, vivaz nos gestos e na palavra, denunciando inteligencia admirável, Amélie Boudet, aliando ainda a todos esses predicados um sorriso terno e bonsoso, logo se fez notar pelo circunspecto Prof.Rivail, em quem reconheceu, de imediato, um homem verdaeiramente superior, culto, polido e reto. Em 6 de Fevereiro de 1832, firmava-se o contrato de casamento. Amélie Boudet tinha 9 anos mais que o prof. Rivail, mas tal era a sua jovialidade física e espiritual, que a olhos vistos aparentava a mesma idade do marido. Jamais essa diferença constituiu entrave à felicidade de ambos. Como esposa altamente compreensiva, resignada e corajosa, amparava o Prof. Rivail em todos os seus empreendimentos.Associou-se na afanosa tarefa educacional que ele vinha desempenhando no Instituto Técnico que fundara havia mais de 5 anos. Colaborou na preparação dos cursos gratuitos que o Prof. Rivail organizou na própria residencia e que funcionaram de 1835 a 1840. O problema da instrução às crianças e aos jovens tornara-se para o Professor Rivail sempre digno da maior atenção. Por isso, até mesmo as horas na noite ele as dividia para diferentes misteres relacionados com aquele problema, recebendo em todos a cooperação talentosa e espontânea de sua esposa. Todas as realizações do Prof. Rivail a bem do povo originaram-se das palestras costumeiras entre os dois cônjuges. Em muitas ocasiões, além de conselheira, foi ela a inspiradora de vários projetos que o marido pôs em execução. Segundo declaração de P.G. Leymarie, Allan Kardec tinha grande consideração às opiniões de sua esposa. Quando, em 1854, o Prof. Rivail foi atraído para os fenômenos espíritas e pôs mãos à maravilhosa obra de Codificação, foi ainda de sua Gabi, então com 60 anos, que ele recebeu todo o apoio moral nesse cometimento. Tornou-se ela verdadeira secretária do esposo, secundando-o nos novos e bem mais árduos trabalhos que agora lhes tomavam todo o tempo, estimulando-o, incentivando-o no campo de sua missão. Muito ainda fez essa extraordinária mulher em prol do Espiritismo e de todos quantos lhe pediam um conselho ou uma palavra de consolo, até que em 21 de Janeiro de 1883, às 5 horas da madrugada, docemente, com rara lucidez de espírito, com aquele mesmo gracioso e meigo sorriso que sempre lhe brincava nos lábios, desatou-se dos útimos laços que a prendiam à materia. A querida velhinha tinha então 87 anos, e nessa idade, contam os que a conheceram, ainda lia sem precisar de óculos e escrevia ao mesmo tempo corretamente e em letra firme. Amélie Boudet era dessas mulheres boas, nobres e puras, e que, despojadas de vaidade, descobrem no casamento missões nobilitantes a serem desempenhadas. Sem dúvida, nós Espíritas muito devemos a Amélie Boudet. |