| A BANHEIRA No excelente livro "Vida: Desafios e Soluções" diz-nos a Benfeitora Joanna de Ângelis:"Viver é um desafio sublime, e realizá-lo com sabedoria é uma bem-aventurança que se encontra à disposição de todo aquele que se resolva decididamente por avançar, auto-superar-se e alcançar a comunhão com Deus." Corria o ano de 1975. Divaldo fora convidado por confrades da antiga Lourenço Marques, em Moçambique para uma série de atividades. Durante o ano anterior cartas foram enviadas de ambos os lados para que tudo saísse a contento ; um mês antes ambas as partes se telefonaram dando ciência dos preparativos e, três dias antes da viagem Divaldo lhes cumunicara o número do vôo . Os confrades disseram que iriam recebê-lo. Tudo pronto ! Malas e passaporte, lá foi o tribuno e médium baiano para Moçambique... Ao chegar no aeroporto expressões apreensivas o aguardavam. Divaldo estranhou e lhes perguntou: "-Qual o motivo da tristeza?" "-É que o irmão Divaldo não deveria ter vindo...Estamos atribulados, em guerra com os autóctones, os negros, colonizados por nós os portugueses...Tememos que o irmão morra aqui em Lourenço Marques, que agora, tem o nome de Maputo. E falaram das atrocidades cometidas. Disseram que os colonizados ameaçavam jogar uma bomba nos centros de força para deixar a cidade completamente às escuras; que juravam que iriam envenenar as águas e mil e umas notícias foram dando ao médium E ele : "-Se voces queriam me amedrontar já o conseguiram...mas como sei que a morte não existe, que a vida continua... vamos à conferência! Como pré-estabelecido, à noite Divaldo falou no Auditório dos Ex-Alunos de Coimbra. E, mais tarde dirigiu-se ao 80 andar do Hotel para recolher-se. Orou, orou muito, como de hábito. Dormiu. Às três horas da manhã acordou ele com um vozerio estranho, num linguajar desconhecido para ele. Parecia-lhe que inúmeras pessoas sibilavam. Seriam gritos? Luzes estranhíssimas deixavam-se perceber pelas frestas da porta. Que seria aquilo? Tentou acender a luz. Não havia eletricidade. Então pensou ele: "-Pronto! São os autóctones atacando. Destruíram os centros de forças, e agora sobem correndo as escadas para irem matando todos os hóspedes que encontrarem, um a um. Meus Deus, eu que não tenho nada com isso vou morrer aqui! Eu gostaria de morrer pela causa, pelo Espiritismo...mas assim! Bem, se não estivesse no 80 andar até daria para pular...Tenho que encontrar um lugar seguro..." Dentro do armário ou debaixo da cama seria muito óbvio. Então, lembrou-se ele da velha banheira do quarto de banho. Pegou um cobertor, cobriu-se bem, deitou-se dentro dela, e puxou mais ou menos a cortina do box para dar a impressão de que ninguém por lá estivesse. Orou muito. E lembrou-se, de que em Antióquia, Inácio desejou morrer pelo Cristo. Foi levado ao Circo Máximo mas as feras nada fizeram com ele. Os amigos, desconfiados supuseram que Inácio houvesse abjurado. Ele, no entanto, ouvira ao ouvido sublime voz que lhe sussurara que morreria pelo Cristo à cada dia . Na renúncia de si mesmo, passo à passo, na incompreensão dos amigos, minuto à minuto..." Em Maputo, de repente, D.Anna Franco, veneranda mãezinha de Divaldo, que desencarnara em 1972, lhe apareceu com um sorriso maroto nos lábios: "-Meu filho, levante daí, não é nada disso que você está pensando! É que faltou luz :os funcionários do hotel , prestativamente, correm para deixar lanternas em todos os corredores e escadas para que os hóspedes não sofram acidentes por causa da escuridão! Esse vozerio sibilante são eles cantando no dialeto local! A sua hora ainda não chegou. Você também, como já lhe disse Joanna de Ângelis, morrerá a cada segundo um pouquinho..." No dia seguinte, pela manhã, por garantia, Divaldo transferiu-se para o primeiro andar do edifício... Ainda teria mais dois dias de palestras...   Anna Alves Franco |