| ARMAI-VOS UNS CONTRA OS OUTROS? Ana Maria Spränger Luiz | Corria o ano de 1988, DIVALDO FRANCO, estava na Cidade do Rio de Janeiro, para mais um ciclo de palestras edificantes que tanto bem proporcionam a quantos tem a oportunidade de ouvi-lo. Naquela ocasião a conferência se daria no Salão Nobre do antigo Ministério da Fazenda. O público expectante aguardava ansioso a presença do médium no palco. Mas como chegar até lá? Era impossível que alguém passasse por entre a multidão. Chega Divaldo mas não consegue ir além do saguão da entrada. Gentil, dirige-se a um senhor e lhe pede licença. O cavalheiro responde: -" Não dou licença. Cheguei mais cedo que você . Quero ver Divaldo ". -" Eu sou Divaldo. Com licença , por favor, porque se eu não puder chegar até o palco, de nada adiantará ao caro confrade ter chegado cedo, já que não poderá ocorrer a palestra..." O homem imediatamente se afastou, meio encabulado por não tê-lo reconhecido, o que também não modificou em muito a situação, já que tantos outros se mantinham à frente...nisso, Divaldo é mais uma vez retido. Dessa vez é um pai desesperado. Seu filhinho, criança presente, de aproximadamente quatro a seis anos estava em estado lastimável. Segundo o médico, em perigo de vida. Uma oclusão renal persistia em ceifar-lhe a vida. Mais algumas horas e o médico por certo o desenganaria.O médium, na impossibilidade de parar , continua andando , já agora com o garoto nos braços. Caminham por cerca de uns cinco metros, distancia que medeia entre o corredor e o palco. Lá chegando, Divaldo entrega-o ao pai com palavras de esperanças e um sorriso a lhe bailar nos olhos. Suave perfume balsamiza o ar. É o fenômeno de olorização. Quando os Bons Espíritos misturam os seus fluidos ao do médium visando atividades compatíveis com o momento. A conferência tem seu início. O tema, como sempre, emociona os ouvintes até às lágrimas. Ao final o conferencista declama o Poema da Gratidão. Uma fila interminável se alonga para os amigos mais uma vez se encontrarem, trocarem opiniões, falarem com Divaldo, levarem um livro com o autógrafo do médium para alguém muito especial, cumprimentarem-no, ou simplesmente agradecer sua presença entre eles. Na fila, novamente aquele pai, só que agora bem mais sorridente e mais confiante, pois que logo após o médium ter-lhe devolvido a criança, a oclusão renal cessara! Lembrei-me de lhes narrar esse fato porque alguns dias atrás, em agosto de 1996, um confrade perguntou-me a razão porque eu e mais aproximadamente dez senhoras, auxiliamos a Divaldo, na banca de livros, quando de suas palestras no nosso Estado do Rio; pois que, no dizer desse caro amigo, há tantas crianças cariocas carentes... Para quê cooperarmos com a Mansão do Caminho, Instituição a que Divaldo se dedica mas que se encontra localizada na Bahia? Como é de conhecimento público aquele lar dá dignidade a 2.900 crianças, mas na opinião do confrade são baianas, não devem ser do interesse de cariocas... Talvez o amigo desconheça que todas nós também militamos em Entidades Espíritas do nosso Estado, porquanto vivemos aqui. Meus irmãos, fiquei até em dúvida... Será que Jesus disse:" Amai-vos uns aos outros?" ou será que ele nos ensinou a amarmos os de mesma raça, aos que hajam nascido nos mesmos países, os de mesma naturalidade, que hajam reencarnado nos mesmos municípios?... Provavelmente não interpretei bem as palavras do Mestre...Ele deve ter dito: "Armai-vos uns contra os outros " Nós já dizemos que "Deus é brasileiro". Já somos conhecidos pelo jeitinho brasileiro. Talvez agora não mais possamo ler Kardec por ter ele nascido na França; logo, não ser nosso conterrâneo... Qual seria a procedência do menino com oclusão renal? Já pensaram se Chico Xavier só atendesse aos nascidos em Pedro Leopoldo? Ou, quem sabe não poderemos mais seguir o Cristo por não ter sido ele carioca.. Tenhamos tento! Diz-nos O Evangelho Segundo o Espiritismo "Cap XV ítem 10 no último parágrafo: "...agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. (...) Esforçai-vos, pois, para que vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa." In: Presença Espírita janeiro / fevereiro de 1997 Ana Maria Spränger Luiz |