Os trabalhadores do Bem, por mais percalços encontrem na tarefa a que se destinam, sentem-se, com esses problemas - empecilhos, mais e mais estimulados ao dever, à renúncia, ao encontro do próximo. Foi o que sempre aconteceu com Divaldo Franco. Muito jovem, já sentia a mediunidade a lhe aflorar os sentidos. O pai, "seu" Chico, como era conhecido, homem austero e nascido no século passado, não entendia seu "Di", o caçula. Ele gostava de lembrar, com imenso orgulho, os feitos do seu outro filho, que jogava num clube de futebol, como excelente goleiro, conhecido como Yo-Yo do time do Bahia de Feira. E era a mais pura verdade. O irmão de Divaldo era exímio com a bola. Aplaudido. Conhecido por todos como ótimo atleta. Seu time fora até campeão local.
Por que seria o mais novo tão diferente? Sempre a "ver" o que ninguém via, a "ouvir" vozes que ninguém escutava...Calado. Quieto. Dócil, mas totalmente estranho aos padrões da família, muito religiosa e católica, pensava "seu’Chico. E instava, exigia, incentivava para que Di também se interessasse pelo futebol...mas o rapazola queria mesmo era estudar, ler, pesquisar. Não tinha, consequentemente, nenhuma "intimidade" com a bola. O tempo passou. "Seu " Chico desencarnou bem velhinho, no ano de 1966.
Um dia, estando o tribuno e médium Divaldo Franco a proferir palestra, num imenso estádio, vislumbra, o pai a ouvi-lo,extasiado. Ele estava postado na cerca que limitava o local dos torcedores da geral e o público das cadeiras. A todo instante, cutucava outros desencarnados, para contar que aquele ali era seu filho.
Então Divaldo, brincalhão, pergunta-lhe:
-"Que faz o pai aqui? Não é dia de jogo..."
Francisco Franco, entre sorridente e encabulado, responde:
-"Eu, na minha ingenuidade e ignorância das lições do Mestre Jesus, queria-o, meu filho, goleiro de futebol...mas descubro agora que você é goleiro de Deus."
Dali em diante, toda vez que pode, "seu" Chico assiste às palestras do filho com a maior atenção estampada no olhar.
Para nossa escalada espiritual, para nossa ascensão aos páramos da felicidade tão almejada, realmente temos que competir conosco próprios, lutando e procurando vencer nossas dificuldades. É um verdadeiro campeonato! Praza a Deus saiamos vencedores no mais curto espaço de tempo.
in"Presença Espírita" de julho / agosto de 1995