NÃO, DOUTOR! MATAR? NUNCA!
Mãe de doze filhos, já beirando a terceira idade, D. Anna era uma dona de casa como as que ainda hoje se encontram com a maior facilidade neste nosso Brasil imenso. Morava em Feira de Santana, lá no interior da Bahia. Analfabeta, devota do Senhor Jesus, acordou certa manhã sentindo necessidade de procurar o único médico que, naquele tempo, havia lá naquelas bandas; homem bondoso, exercia a Medicina com a mais absoluta seriedade. Acanhada, entrou ela no modesto consultório e disse iniciando a consulta:
"- Doutor, parece que estou com barriga d’água..."
O médico olhou silenciosamente a pobre cliente e respondeu entre sério e sorridente:
"- D. Anna..."
"- Doutor, se não fo barriga d’água então é menino. Chico, meu marido, já disse hoje, que talvez seja gravidez..."
"- Na sua idade, D. Anna, como é que a senhora e "seu" Chico deixaram isso acontecer? Já tiveram uma filha com hidrocefalia, têm mais onze filhos, enfrentam uma trabalheira sem fim. E com esta recessão enorme neste nosso país desses anos trinta, a pobreza fica ainda maior... Já disse uma vez que filho de mãe velha nasce destrambelhado..."
"- Não, doutor! Matar? Nunca! Chico está viajando aqui e ali. Nada vai nos faltar...!"
"- Quem falou em matar, D.Anna. Vá em paz esperar a sua hidropsia..."
"- Hidro... o quê, Doutor?
"- É barriga d’água, D. Anna. A senhora ficará livre dela em nove meses."
Nove meses depois nascia, às cinco horas da manhã, do dia 5 de maio, um robusto menino, cujo choro foi tão forte que quase ninguém pôde ouvir o apito do trem das cinco, lá na estação...
O menino recebeu o nome de Divaldo. Ele mesmo, Divaldo Pereira Franco!
Não é difícil imaginar a infância de um menino que nasceu em um lar extremamente pobre, mas iluminado pela fé de Jesus. Cresceu, trabalhando mais do que estudando. Contava menos de cinco anos de idade quando começou a sentir as primeiras manifestações de mediunidade. Muito jovem ainda deixou Feira de Santana e foi para Salvador, onde deveria continuar estudando e trabalhando. Fez um concurso público. Tornou-se professor e funcionário.
Nestes dias em que tantos procuram justificar o aborto, recordamo-nos de D. Anna e "seu" Chico. As dificuldades cresciam, os problemas também, no entanto, eles sempre renovavam a esperança pois como Jesus ensinara:
"Aquele que veste os lírios do campo e alimenta os pássaros dos céus jamais deixará um filho abandonado!"
Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dá os bens verdadeiros aos que Lhos pedirem?" Matheus, VII- 7,11
Joanna de Ângelis no livro "Após a Tempestade", Editora LEAL , 2a edição, página 67 nos fala :
"Infanticídio execrável, o aborto delituoso, é cobarde processo de que se utilizam os espíritos fracos para desfazer-se da responsabilidade, incidindo em grave delito de que não se poderão exonear com facilidade."
Não obstante, em alguns países, na atualidade, o aborto sem causa justa - e como causa justa devemos considerar o aborto terapêutico, mediante cuja interferência médica se objetiva a salvação da vida da gestante - se encontre legalizado, produzindo inesperada estatística de alto índice, perante as leis naturais que regem a vida, continua sendo atentado criminoso contra um ser que não se pode defender, constituindo, por isso mesmo, dos mais nefandos atos da agressão à criatura humana...
Defensores insensatos do aborto delituoso costumam alegar que nos primeiros meses nada existe, olvidando, que, em verdade, o tempo da fecundação é de somenos importância... A vida humana, em processo de crescimento, merece o mais alto respeito, desde que, com a sucessão dos dias, o feto estará transformado no homem ou na mulher, que tem direito à oportunidade da experiência carnal, por impositivo divino.
A ninguém é concedida a faculdade de interromper o fenômeno da vida, sem assumir penoso compromisso de que não se liberará sem pesado ônus..."