Em 23 de junho de 1944 desencarna, devido a ruptura de um aneurisma, um irmão do médium Divaldo Franco chamado José. Divaldo, naquele tempo já era médium mas não conhecia a Doutrina Espírita, e, ao sentir aquela constrição física - a presença do irmão - e não conseguir mais andar ficou sem atinar com a causa. Divaldo estava com pouco mais de 16 anos .
Seis meses se passaram...
Uma prima de Divaldo, chamada Clarisse, que conhecia D. Ana Ribeiro Borges, excelente espírita, pediu que essa senhora fosse visitá-lo. O que ela fez incontinenti no dia 5 de dezembro de 1944.
E, após conversar com a entidade espiritual e convencê-lo a seguir com os mentores designados para tal, deu um passe no rapazito que passou a andar no mesmo instante para espanto dos seus familiares.
D. Ana explicou aos parentes do rapaz que Divaldo era médium e, precisava ir a um Centro Espírita estudar a Doutrina Codificada por Kardec.
O jovem instava, reclamava que não queria se "meter" nessas coisas de demônios, que queria ser padre, que já era até sacristão, mas... sua genitora, como faziam as mães naquele tempo, lhe afirmara que criança não tinha querer e arrastou-o ao Centro Espírita Jesus de Nazaré lá de Feira de Santana.
O jovem - médium levara escondido num dos bolsos um terço para quando percebesse a aproximação do demônio mas o que viu por lá foram pessoas honradas e nobres da pequena Feira de Santana. O tabelião de notas abrira-lhes a porta da instituição e proferira na abertura dos trabalhos a prece de Cáritas. Durante a comovente oração, Divaldo viu o homem todo iluminado, o que lhe causou forte impacto emocional e lhe deu certa confiança tornando-se menos temeroso.
Naquela mesma noite, através a psicofonia, Divaldo transmitiu recado do irmão desencarnado. Ao retornar à lucidez, viu sua mãezinha chorando e dizendo que o filho havia se comunicado, e falara de fatos que só os dois tinham conhecimento... Conta Divaldo que acreditou que a mãe tivesse perdido o juízo logo no primeiro contato com os espíritas.
Daí em diante, sempre obrigado por sua mãe, o jovenzinho passou a frequentar o C.Espírita sem, no entanto, deixar de ir à missa, de confessar-se e comungar. O próprio Padre Amilcar Marques, pároco da Igreja Matriz de Feira de Santana, lhe perguntara como ele que estava paralítico por seis meses agora, andava normalmente.
"- Foi no Centro, padre. Estavam lá o tabelião de notas, dona fulana, o gerente do banco, a senhora tal, aquela outra que ajuda o senhor na
arrumação do altar do Sagrado Coração, etc...e até "recebi" o meu irmão mas, fui lá obrigado por mainha ; escondido, levei um terço no bolso para quando o diabo chegasse!
"-Vá sempre, meu filho...e me conte tudo o que o diabo faça por lá!
Divaldo também frequentava a Igreja da Santa Casa de Misericórdia, onde sempre conversava com o padre Mário Pessoa. Divaldo sempre via o pároco Pessoa envolto em luz.
Um dia, na sacristia, o garoto espantado dirige-se ao padre Amilcar Marques:
"- Padre, o diabo está entrando, é uma mulher velha, de xale, e quer lhe dar um recado".
"- É minha mãe, receba-a!" E assim, após a mãe lhe falar, o padre comenta com o jovem que sua missão não seria na Igreja e que ele deveria mudar-se para um outro lugar pois que "ninguém é profeta em sua terra".
Seguindo a orientação do padre ele foi morar em Salvador com sua benfeitora, D. Ana Ribeiro Borges a partir de fevereiro de 1945, e, fez concurso para o antigo IPASE onde passou a trabalhar. Em Salvador, aprendeu muito com D. Nanã, apelido carinhoso de D. Ana convivendo também com o carinho da estimada Matilde, serviçal da casa que o hospedava.
O jovem quando criança já transmitira, aos quatro anos, um recado de sua avó materna D. Maria Senhorinha à sua genitora e à sua tia D. Maria Edwiges tornando-se uma criança diferente que brincava com crianças "imaginárias" tais como o indiozinho -Jaguaraçu - e outros.
Aos oito anos assustara sua mãe "vendo"um homem com expressão patibular apelidado pelo médium -menino de" O Máscara- de- Ferro" O homem lhe dizia com voz cavernosa:
"-Você vai ver a cruz que eu lhe colocarei às costas. Essa cruzinha do rosário que você trás ao peito de nada lhe adiantará."
Sua mãe, muito católica lhe falava:
"-É o diabo, meu filho" ...e oravam... oravam... oravam...
Para dormir ele se deitava entre os genitores pois via rostos com chapéus enormes e tinha pesadelos, muitos pesadelos.
Mais tarde esse mesmo Máscara-de-Ferro, que teria sido um sacerdote a quem Divaldo houvera feito algo contra, no século XVII , provocou inúmeras situações vexatórias envolvendo o médium. Inclusive, um senhor, induzido por essa entidade equivocada esbofeteou o rapaz que ao cair feriu-se na vitrine de uma relojoaria, sangrando bastante. O jovem dirigiu-se para casa e, lá chegando apanhou de seu genitor, no outro lado do rosto, para que nunca chegasse em casa perdedor, tendo perdido uma briga. Sua mãe, depois desse fato ficou um ano em depressão. Tinha ela medo que o moço, diante de tantas pressões se matasse. Ela já houvera tido uma filha suicida ( Nayr ).
Um dia, muitos anos depois, uma criança foi deixada à porta da Mansão do Caminho, instituição criada por Divaldo em 15.08.1952 que educa e promove cerca de 3.019 crianças e adolescentes, e, o Máscara que se afastara por algum tempo, retorna à visão de Divaldo, e pergunta ao médium:’
"-Tu vais amar essa criança, que chegou hoje?"
"- Claro, como amo todas as que chegaram."
"- Então, a partir de hoje eu tenho que te amar pois essa que aí está é a minha mãe reencarnada!!! Antes você não me convencera, agora você me venceu pela sua paciência!"
Nossas homenagens a esses sacerdotes, aos padre AMILCAR e MÁRIO, que aconselhavam o jovem médium com carinho, desvelo, imparcialidade e amor, muito amor... E às suas devotadas mães!
Quando todos nós nos desvencilharmos das paixões , preconceitos e superstições seremos com eles eram!