O PODER E A EFICÁCIA DA PRECE
Quando os que se destinam à tarefa de difusão da Doutrina Espírita surgem no cenário das nossas vidas nós acreditamos, ingenuamente, que não têm problemas, e, que não passam por vicissitudes. É o que ocorre com Divaldo. Muitos neófitos julgam-no indene às investidas e assédios das sombras. Há a esse respeito, um fato, muito interessante, contado por ele mesmo, que passo a narrar à guisa de estudo para nós outros meditarmos e reflexionarmos a cerca do ocorrido.
Divaldo viajava para certa cidade a levar a palavra do Cristo. Ficara hospedado na casa do confrade que o convidara, onde além da esposa deste, moravam a filha casada, o seu cônjuge e filhinhos destes.
Noite alta. Divaldo dormia tranqüilo num dos quartos do casarão, sem o paletó do pijama devido ao intenso calor. Antes de deitar-se orara, como sempre o faz.
Batem à porta.
"- Abra! Abra! Sou eu - sussura voz feminina - quero lhe falar. Abra!"
Quem seria àquela hora?
Alguém estaria passando mal? Desejariam um passe? Ele se levanta, corre ao trinco da porta, mas no exato momento que ia escancará-la, para atender ao chamado, vê mão muito branca que o impede, e, ouve a voz de Joanna de Ângelis que lhe diz:
"- Vista o paletó do pijama, abotoe com calma todos os botões, um a um, e só depois disso abra a porta."
Assim ele fez. Enquanto isso, lá fora novos passos, rumores, uma voz masculina, e, varando o ar o som de estrondoso tapa.
O médium abre a porta atônito.
Vê então o amigo que o convidara, muito nervoso, sua filha casada no chão, e entende que o pai batera nela. Qual seria o motivo? O velho trabalhador espírita daquela cidade então fala:
"- É sempre assim. Ela vem constantemente importunar os hóspedes, assediá-los, com propostas indecorosas, toda vez que alguém aqui pernoita."
Divaldo alongando a percepção percebe entidade infeliz e equivocada junto à moça chorosa, e, para abrandar a situação responde:
"- O senhor está equivocado. Ela veio pedir-me um passe! Não foi, minha filha?"
"- Foi! " - respondeu ela, com um olhar tão sofrido que jamais Divaldo esqueceria.
O médium e tribuno baiano então convocou todos à sala, para a administração do passe. Pediu uma jarra d’água também. Orou muito. Todos oraram acompanhando-o.
Estavam o esposo, a mãe e o pai da moça, ela própria e Divaldo. Após a transfusão benéfica a moça deu um grito.
"- Mamãe, parece que me tiraram um capacete!" - E virando-se para o esposo conclui: "- Você não sabe o que eu vinha fazendo.... Eu não havia ido ao quarto do Divaldo para pedir um passe!"
"- Amo você e entendo que estava doente", respondeu o marido.
Como amor tem nuances divinas! Diante dele o sexo fica tão amesquinhado, pensava Divaldo.
Todos choravam.
A entidade foi "desligada" e socorrida convenientemente, e a agúa, que estava próxima, foi servida aos presentes.
Divaldo continuou a frequentar a casa do amigo. Aquela força, aquela energia toda, que a moça possuia, foi canalizada. Tornou-se passista. E agora, no Mundo Espiritual seus pais vêem com ternura o progresso constante da filha.
E se fosse outra a atitude do médium?
Por sermos espíritas não significa que passemos incólumes a estas situações, pelo contrário. Vigiemos muito! Oremos mais ainda! Pois sabemos do valor, da eficácia da prece.
Conhecemos os benefícios do passe e da água fluidificada. Usemos nossos conhecimentos e os apliquemos com esperança e otimismo.
in: Presença Espírita março/abril 1996