Em suas conferências Divaldo Franco fala -nos da necessidade do estudo dos livros de Allan Kardec. Tem afirmado, inclusive, que sempre está recorrendo às obras da Codificação Espírita para dessedentar-se nessa fonte inesgotável. Em uma recente palestra, com o objetivo talvez de realçar esse estudo recordou alguns fatos de sua adolescência:
Divaldo era médium mas não era espírita.
Um dia, o espírito Manuel Vianna de Carvalho apareceu e lhe disse que gostaria que ele lesse " O Livro dos Espíritos" para posteriormente trabalharem. Divaldo, muito jovem, estava acostumado a ler Gibi, Pato Donald, Pafúncio e Marocas, as leituras daquela sua época de meninice, mas...muito dócil, foi até à cidade e procurando daqui e dali encontrou o livro citado pelo Espírito, aliás, o primeiro livro codificado por Allan Kardec. Achou-o grosso! Pudera, não estava acostumado à leitura...E as palavras então? Cada palavra difícil! Esbarrou, logo no início, com uma delas PROLEGÔMENOS. Que sgnificava isso, meu Deus?
Quando noutro dia o espírito Vianninha lhe apareceu ele foi logo replicando:
"-Ah, meu irmão! Que livro, hein? Grosso e dificílimo!!! Que são prolegômenos? Não consegui sair das primeiras páginas... Diga-me, pelo amor de Deus, que são prolegômenos?
"-Divaldo, disse-lhe Vianninha, Espiritismo é Doutrina de amor mas também de instrução!"
"-Então, o Espiritismo é elitista?"
"-Não, mas os que dele fizerem marco para suas vidas, constituirão, no futuro, uma sociedade intelecto - moral já que dentro de suas páginas há a seguinte recomendação: "Espíritas, amai-vos e instruí-vos." O Espiritismo é uma doutrina definida por Allan Kardec como sendo a Ciência que trata da origem, natureza e destino dos Espíritos bem como das relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Ensina a crença em Deus, na imortalidade da alma, na comunicabilidade dos Espíritos, na reencarnação, na pluralidade dos mundos habitados, e tem a sua estrutura filosófica estatuída em O Livro dos Espíritos, entendeu?"
"-Não senhor!
"- Você já leu o livro ou só deu uma olhadinha rápida? Leia-o! E...compre um dicionário!" - falou com veemência Vianna de Carvalho.
Divaldo comprou um dicionário baratinho, bem simples e fino mas ao folheá-lo não encontrou a palavra prolegômenos. Teve que recorrer a um outro dicionário mais tarde, onde descobriu, que prolegômenos significa introdução expositiva de algum tratado científico, prefácio longo, uma explicação...Dois meses depois...Divaldo ao perceber a presença do Espírito lhe diz que agora realmente não somente folheara "O Livro dos Espíritos" como o lera detidamente e até decorara-lhe alguns trechos.
"-Ë? - disse-lhe sem muita empolgação Vianninha - pois agora, estude-o!!! Disse que se Divaldo vivesse cem anos e o estudasse detidamente sempre encontraria em sua páginas novos esclarecimentos ligados a todos os segmentos do conhecimento humano.
O jovem estudou, estudou, estudou. Um dia ao rever Vianna de Carvalho falou magoado ao Espírito:
"- O senhor me disse que eu encontraria todos os segmentos do conhecimento humano nesse livro e... onde fala ele na física quântica? Não encontrei nada à respeito."
"-Então não o leu como deveria pois ele cita: "o arcanjo de hoje foi o átomo de ontem..."
Assim, Divaldo tornou "O Livro dos Espíritos", no seu livro de cabeceira, atraves daquela recomendação e... medidas as proporções, como Paulo de Tarso dos nossos tempos, sai a semear a Boa Nova, o Consolador Prometido por Jesus, para os que choram sozinhos não se sintam desamparados nunca mais ; e, consolados pela fé possam construir caminhos de redenção!
Isso me fez recordar o Auto de Fé de Barcelona:
Em 9 de outubro de 1861 Kardec mandou para a Espanha, para a cidade de Barcelona 300 exemplares entre livros e brochuras para o livreiro Maurice Lachâtre. Por ordem do Bispo local, eles foram queimados em praça pública embora tivessem o porte pago. Kardec quis revidar ante as autoridades competentes - os Espíritos disseram-lhe que nada fizesse porque aquela fogueira traria muitos benefícios à Doutrina na Espanha, seria causa de interesse em quem não a conhecia -...
Como as comunicações eram demoradas, mais tarde, um confrade manda-lhe os fatos, com mais detalhes, inclusive, envia uma página semi- encinerada, contando que depois da queima, as pessoas acorriam até a fogueira para pegarem os restos dos escritos a fim de tomarem conhecimento do que elas continham... Contou ainda que numa praça, onde no passado a Inquisição queimava pessoas, reuniram-se um representante da Igreja tradicional, representantes fiscais e um funcionário da aduana portando um archote e quando ele acendeu a pilha dos 300 livros expostos, o povo começou a vaiar e a gritar:
"- Fora a Inquisição, fora a inquisição!"
Kardec na edição de novembro da "Revista Espírita" ao rememorar aos leitores o fato diz : quando uma idéia é verdadeira não haverá Pirineus capaz de abafá-la nem chamas tão altas suficientes para queimá-la!