O médium Divaldo Pereira Franco, certa feita, no ano de 1990, encontrava-se na cidade de Uberaba pelas comemorações dos 50 anos de fundação da UMEU - União das Mocidades Espíritas de Uberaba - a convite de alguns confrades tendo à frente o inesquecível Emmanoel Chaves, o nosso estimado Lilito, como era conhecido na região. Foram momentos inenarráveis que culminaram com excelente conferência do querido tribuno e médium baiano no Clube Sírio e Libanês, daquela localidade, já que sua presença marcante era há muito desejada por todos que ansiosos o aguardavam .
Depois da palestra dirigimo-nos com algumas pessoas, em dois automóveis, até a residência do anfitrião para fazermos ligeiro lanche. Estavam conosco: Miguel de Jesus Sardano, de Santo André (SP) do C.E.Bezerra de Menezes; o Sr. Jophir Silva, morador na cidade de Rio Paranaiba; a Sra. Altiva Glória Noronha e sua filha Márcia residentes em Uberaba; Gisele Faganello de Catanduva; Isac Abrahão Luiz do Grupo Espírita André Luiz (RJ) e, naturalmente, Divaldo.
Então, quando chegamos à soleira da casa de Lilito, verificamos que não possuíamos chave para adentrarmos à residência que hospedava Divaldo. Emmanoel ainda ficara um pouco mais no Clube agilizando algo pendente. A sua esposa estivera por todo o dia adoentada e ingerira um remédio para relaxar. Dormia a sono solto, sem nos escutar. Incontinenti, Márcia e Isac retornaram ao Clube para pegarem a chave com o Lilito. Entre nossa chegada e até aquele momento uns cinco minutos haviam se passado...
Vi Divaldo olhar para a casa vizinha, não havia ninguém por ali ; entre uma e outra, um muro de cerca de três metros, aproximadamente... Impossível pois, saltá-lo...Tudo em total silêncio... Ninguém para chamarmos... Acompanhei com o olhar quando o médium para lá se dirigiu.
Ele me disse sorrindo:
-"Não vamos ficar por muito tempo aqui fora..."
Eu então pensei:
-" Será que Divaldo tem conhecimento de que o vizinho possui alguma chave extra? Haverá alguma passagem entre uma casa e outra? Alguma escada?"
Verifiquei mais tarde que nenhuma dessas hipóteses era verdadeira...
Aguardei ansiosa com minha veia de articulista e de " repórter" pulsando... Sentia no ar, pelo sorriso dele, que algo inusitado iria acontecer.
Caros leitores, cerca de menos de dois minutos após o médium ter entrado no quintal do vizinho, apareceu ele, dentro da casa do Lilito, a nos abrir a porta da sala!
Como será que ele agiu?
Desdobramento? Bilocação?
Volitação, tal qual o famoso médium do século XIX Daniel Dunglas Home?
Aí, uns doze minutinhos se passaram e chegaram, com a chave, Lilito, Isac e Marcinha que ficaram sem entender nada!
No dia seguinte tivemos a ventura de ir de automóvel visitar D.Elite, irmã do abençoado Eurípedes Barsanulfo, na companhia de Divaldo. Eu, então arrisquei uma pergunta:
-"Di, como foi que você fez aquilo?..."
E ele entre acanhado e reticente...
-"Lembrei-me que a janela , tipo guilhotina, do quarto onde eu dormira, estava com um palmo aberta..."
- (?!)
No desdobramento ou bilocação, o Espírito do médium afasta-se do corpo, que fica em estado letárgico, e projeta-se à distância, tornando-se visível pela condensação do seu corpo espiritual, podendo falar, impulsionar quaisquer objetos e tocar nas pessoas.
Diz-nos Martins Peralva, no seu livro "ESTUDANDO A MEDIUNIDADE " à página 88, 1a edição, da FEB:
"Médium de desdobramento é aquele cujo espírito tem a propriedade ou faculdade de desprender-se do corpo. Desprende-se e excursiona por diversos lugares na Terra ou no Espaço, a fim de colaborar nos serviços, auxiliando, consolando, amparando e até curando. Uns se recordam do que ocorreu nessas excursões, outros, têm dificuldades de se lembrar desse serviço de fraternidade."
Na volitação, diz-nos o Mundo Espiritual, e também atualíssima pesquisa na Universidade de Belfast, na Irlanda do Norte, que os Benfeitores, aliando os seus fluidos ao fluido Universal e mais aos do médium, criam uma alavanca fluídida que arremessa à distância qualquer objeto ou pessoa, chamada alavanca de Crawford, o nome do professor universitário que a estudou.. Era o que ocorria com Home e outros tantos, suponho eu.
Que sei eu... há mais coisas entre o Céu e a Terra que meus parcos conhecimentos... mas, parafraseando o cego da Bíblia posso afirmar : sei que vi!