SOBRE O FUTURO MUSEU CLARA NUNES
A inesquecível Clara Nunes vai ganhar uma homenagem só dispensada no Brasil à estrela do quilate de Carmem Miranda: um museu biográfico. Graças à dedicação de sua irmã Maria Gonçalves, mais conhecida como "Mariquita", colares, brincos, vestidos, sandálias, troféus , imagens de santos e toda a sorte de objetos místicos, além de um acervo de fotos e documentos que foram cuidadosamente, recolhidos por ela após a morte da artista em 1983 vão integrar um moderníssimo espaço museológico com seu nome em sua cidade natal, Caetanópolis, a 93 Km de Belo Horizonte.
O secretário de Cultura, Ângelo Oswaldo encarregou-se, pessoalmente, de viabilizar à iniciativa, após conhecer o rico acervo da família. Graças à sua interferência, o museu já tem garantido o espaço onde será abrigado. A Companhia Cedro Cachoeira, onde Clara trabalhou como tecelã na juventude, doou um imvóvel em Caetanópolis, tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural. No prédio, funcionou o antigo Centro Literário e Recreativo Cedrense e, depois, o Cine Teatro Municipal, palco, aliás, onde a Clara Nunes apresentou-se pela primeira vez ainda criança.
"O museu significará um inédito resgate da memória da cantora , um dos maiores nomes da música nacional", disse Ângelo Oswaldo, entusiasmado com o projeto, destacando ainda de que esta é "uma forma de aproximar o povo de sua história".
Por se tratar de um museu biográfico, as características profissionais e pessoais de Clara Nunes estão sendo levadas em consideração na concepção de cada detalhe. Objetos de estimação, roupas, sapatos, adereços, turbantes, troféus, cetros, fotos, tiaras e imagens de santos dos quais ela era devota, serão expostos em vitrines de vidro. Como cores vibrantes não faltam entre os pertences da cantora, as paredes serão monocromáticas.
O museógrafo Paulo Rossi , contratado para elaborar o projeto, esta tratando o prédio como um grande teatro, com direito a iluminação cenográfica e ilhas de som. Se o visitante estiver na parte que conta a história de vida da artista, suas origens e família, ouvirá um tipo de música. Quando se aproximar do espaço que fala sobre sua carreira, outra melodia encherá o ambiente. Mas se o tema for suas crenças ou composições próprias, o repertório também será outro. Sem falar num lounge, grande sala de estar, onde o visitante, confortavelmente instalado numa chaise longue, poderá escolher num cardápio de CDs, a música de Clara Nunes que quer ouvir. Ou
se preferir poderá ainda assistir entrevistas ou shows da cantora em monitores acoplados nas paredes. Um luxo que Clara jamais poderia ter imaginado em vida.
Reportagem de Maria Teresa de Paula.
Para saber mais visite o site do Museu Clara Nunes:
www.claranunes.hpg.ig.com.br